quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nervo Craniano Zero estreia no início de 2012

          Está prevista para o primeiro semestre de 2012 a estreia de mais um filme de Paulo Biscaia Filho, adaptação da peça Nervo Craniano Zero. Este é o segundo longa-metragem da Vigor Mortis, empresa do diretor, que no ano de 2010 lançou o filme Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos.
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ara realizar a adaptação, Paulo procurou outra estética que se comunicasse melhor com o público, sendo mais ligada com o que era utilizado nos anos 80, assim como fez John Carpenter e David Cronenberg, ambos diretores de cinema. O elenco e a equipe não são os mesmos profissionais que saíram do teatro para o cinema. “Apenas o Leandro Daniel Colombo tinha feito a peça, o diretor de arte foi o mesmo cenógrafo do espetáculo, mas o resto é totalmente diferente, afinal de contas é um bicho diferente. Não tinha porque manter as coisas da peça, eu tinha que criar um ser novo, pois se trata de outra mídia que requer profissionais específicos da área”, explica Biscaia Filho.
Paulo Biscaia, diretor do longa metragem
        As gravações de Nervo Craniano Zero começaram no final de junho de 2011 e duraram duas semanas. Segundo o diretor, o primeiro corte já foi feito e agora o longa está na fase da edição de áudio.
       “Eu ainda não comecei a fazer a marcação de cor do filme, mesmo porque a fotografia do Maurício Baggio está muito boa, então tem pouquíssima coisa pra mexer de marcação de luz. Estou experimentando ainda algumas tonalidades que podem dar ao filme um clima mais interessante que remeta justamente àqueles elementos de filmes de terror da década de 80”, comenta o cineasta. Como referência estética cita filmes como O Enigma de Outro Mundo e Christine, o Carro Assassino (John Carpenter) e Scanners, Sua Mente Pode Destruir (David Cronenberg).
      
A trilha sonora está sendo feita por Denis Garcia e mantém a mesma estética “oitentista”, com alguns elementos do eletrônico deste período e também com uma puxada mais rock ‘n’ roll, com as guitarras que Rodrigo Lemos (guitarrista da Banda Mais Bonita da Cidade) deve interpretar na trilha.         
     Nervo Craniano Zero será lançado nacionalmente e a divulgação é da distribuidora Moro Filmes. O público-alvo, segundo Biscaia, são pessoas que gostam do gênero terror e ficção científica de diversas faixas etárias e também aqueles que acompanham os trabalhos da Vigor Mortis. 
        “O filme foi super agradável de fazer e a equipe foi sensacional. O trabalho sempre esteve no prazo e a execução foi sempre muito prazerosa. A maior dificuldade ainda está por vir, que é o momento da exibição do filme. Ver como o público vai comprar esta ideia. Acho que a espera por esse momento é a mais difícil”, completa.       
    Além de falar sobre Nervo Craniano Zero, Paulo também colocou seu ponto de vista a respeito da valorização do cinema regional na capital paranaense. “Eu senti uma valorização maior fora de Curitiba do que dentro. Isso é um problema crônico da cidade. É lógico que existem diversas pessoas que apoiam o trabalho e que vão assistir as peças e os filmes da Vigor, mas isso ainda é muito tímido perto do que poderia ser. Existe uma sustentação muito maior em festivais fora do que aqui. É estranho. Não que não exista apoio, não é preto e branco, ainda é de um cinza muito feio a relação que se tem com o público aqui de Curitiba”, declara o diretor.          
    Para ele, o público é um ser mutante, porque não é exatamente uma pessoa, são diversas cabeças que estão pensando diferente e a soma de todas essas é muito difícil de prever. “Eu me coloco na pele de público muitas vezes, principalmente quando estou dirigindo. Quero fazer um trabalho que seja interessante a começar para mim como público, então, é óbvio que eu tento me distanciar para que eu não me envolva emocionalmente com o espetáculo ou com o filme que eu estou fazendo, mas tente olhar com este olhar externo, o que é muito difícil”, complementa.
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iscaia Filho conta que sua paixão pelo terror cômico veio de sua formação, das coisas que viu na infância, na adolescência. “Os filmes foram fazendo a minha cabeça e formando minha personalidade, formando o meu gosto como artista e também como público”.
       Para a metade do ano que vem está prevista a gravação do curta-metragem Coração que Falava Demais que já está com o financiamento garantido, sendo uma adaptação de um conto de Edgar Allan Poe assim como os trabalhos do projeto Nevermore. Além deste, o cineasta está buscando financiamento para outros trabalhos.
     No dia 31 de outubro Paulo Biscaia Filho estará na Cinemateca ministrando uma palestra sobre cinema trash, às 20 horas. A entrada é franca.

Texto: Juliana Hemili
Edição: Thayse Nascimento
Foto: Divulgação

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